Sábado, Março 13, 2010

Atena desencantada

Segundo os atenienses, Atena inventou o diaulo (flauta dupla) com os ossos de um veado durante um banquete dos deuses e pôs-se imediatamente a tocá-la, o que provocou comentários chistosos de Hera e Afrodite, pelas bochechas que ficavam inchadas. Atena, contrariada, foi à Frígia, contemplou-se no reflexo das águas de uma fonte cristalina e horrorizada, concluiu que elas tinham razão. Lançou bem longe o diaulo e o amaldiçoou, mas a invenção foi recolhida pelo sátiro Mársias.



Ó, Atena, depõe tua flauta!
Esvazia o ar das bochechas,
Pois a elegância é sabedoria

Ó, Atena, arroja tua flauta!
Torna o canto em desencanto,
Pois o silêncio é sabedoria.

Ó, Atena, esquece tua flauta!
Busca o que te é oferecido,
Pois o oportuno é sabedoria.

Por fim, Atena, aceita
A ti mesma e recolha-te
Ao teu próprio silêncio.

Terça-feira, Novembro 24, 2009

Gitano Chino

Ao estilo de Li T'ai-Po

O sol se despede por trás das montanhas. A noite lança seu manto escuro sobre o vale. Um vento frio passa pelas sombras dos pinheiros. Ouve-se o murmúrio do riacho na semi-escuridão.

Para onde eu vou? Eu vou andar por aquelas montanhas da minha terra alta. Pisarei em caminhos de grama macia e tocarei as flores.

Com meu alaúde hei de vagar por trilhas solitárias, enquanto aguardo a primavera. Observarei os horizontes azuis e a terra coberta de verde. Andarei pelas praias e ouvirei o mar indo e vindo, indo e vindo, indo e vindo... ssssssh...

Domingo, Julho 12, 2009

Música de Inverno

Quem se despe de muitas coisas
Torna-se cada vez mais nu para si mesmo
E cada vez mais vestido para os outros,
Porque não vale exibir a nudez.

Sem a companhia dos homens,
O homem só não fala mais;
Torna-se selvagem, quer uivar.
Pois o lobo sabe o que é o uivo,
Mas o homem, não!

Tudo o que o homem faz termina.
Quem começa sabe que o fim virá,
Por isso o infinito não tem começo.
O homem só não sabe onde começa
Nem sabe onde a natureza começa.

O silêncio é eterno,
E o infinito, silente.
O homem só invade o silêncio
Para uivar música
No inverno do coração.

Segunda-feira, Junho 01, 2009

Dó Maior

"ESTA É MINHA ALVORADA, COMEÇA MEU DIA, É MEU DIA QUE SE LEVANTA. LEVANTA AGORA! DE PÉ, LEVANTA, Ó GRANDE MEIO-DIA! ASSIM FALAVA ZARATUSTRA, E AFASTOU-SE DA CAVERNA, ARDENTE E VIGOROSO, COMO O SOL MATINAL QUE SURGE DOS SOMBRIOS MONTES."

NIETZSCHE


Prelúdio da 3ª Suíte para Violoncelo - Johann Sebastian Bach

Assim Falava Zaratustra - Richard Strauss

Júpiter, de "Os Planetas" - Gustav Holst

Maestoso, da Sinfonia nº3 com órgão - Camille Saint-Saëns

Prelúdio da ópera "Os Mestres Cantores de Nurenberg" - Richard Wagner

Abertura "A Consagração da Casa" - Ludwig van Beethoven

Finale, da Quinta Sinfonia - Ludwig van Beethoven

Abertura Festival Acadêmico - Johannes Brahms

3º movimento da Quarta Sinfonia - Johannes Brahms

1º movimento da Nona Sinfonia (parte 1) & (parte 2) - Franz Schubert

Molto Allegro, da Sinfonia nº41 "Júpiter" - Wolfgang Amadeus Mozart

Rondo-Finale da 7ª Sinfonia - Gustav Mahler

Quarta-feira, Maio 27, 2009

Où voulez-vous aller?

"Voyage, voyage
Eternellement...
Voyage, voyage
Et jamais ne revient."

Quinta-feira, Maio 21, 2009

Imagem d´Espanha

Impressões de viagem em forma de colcha de retalhos culturais



Sol do azul e franco
Espada ofuscante
Sol de ferro e brasa
Granada queimante

Saara do maduro maio
Maio laranja, com cor
Maio do pau duro, maio!
Dentro do ventre da flor

As noites nos jardins
Da música de Falla
Piano entre jasmins
Música que não falha

Málaga da pintura
Mar, Picasso duro
Gala Dalí, Gala de lá
Lorca Gaudí, Lorca Graná

D´Ávila Teresa inflamada
Chama de êxtase, molhada
Do peito branco da santa
Leite pra boca do santo

Mas me dá pena a Isabel
Aquela puta apostólica
Pois sei que não vai pro céu
Ainda que seja católica

Espanha romana dos pagãos
De abanicos e castanholas
Dos decotes das espanholas
De árabes, judeus e cristãos

Sonho de todo romântico
Ibéria, adeus, vou partir
O corpo rumo ao Atlântico
Flutuando no Guadalquivir

Segunda-feira, Março 23, 2009

Assassino

“Todo aquele que odeia a seu irmão é assassino; ora, vós sabeis que todo assassino não tem a vida eterna permanente em si.” - I João 3:15

Alguém quer não sentir ódio, mas não adianta querer.

Jesus, se o senhor existiu mesmo e se o senhor disse isso, o que fazer com as tuas palavras?